22 Perguntas para Shirin Neshat

Installationsansicht aus Shirin Neshats Ausstellung „The Book of Kings” in der Gladstone Gallery New York
(Courtesy the Artist and Gladstone Gallery)

 

Nome: Shirin Neshat

 

Ocupação: Artista visual/cineasta

Cidade/Bairro: Nova Iorque, Soho

 

Em que projeto você está trabalhando agora?

Estou trabalhando no meu segundo longa-metragem, a história da vida e arte da lendária cantora egípcio OumKolthum, que morreu em 1975. Até agora, ela permanece talvez como a mais icônica e significativa artista do século XX no mundo islâmico, tanto pela sua música quanto pelo seu senso de nacionalismo. Nos últimos dois anos, eu estive viajando para o Egito para pesquisar e pré-produzir o filme, que esperamos começar a filmar em outubro de 2012. Enquanto isso, eu também estive preparando uma nova vídeo instalação, encomendada pelo Museu Nacional no Qatar, a ser filmado em sua maioria nos desertos do Qatar em algum momento de 2013.

 

Seu novo conjunto de obras justapõe poesia época persa do século XI com retratos de jovens manifestantes árabes. Como estes textos antigos são relevantes para manifestantes nos dias de hoje?

Se você olhar pra trás para todo meu trabalho até agora, tem havido dois elementos consistentes recorrendo em uma forma ou em outra: literatura e política. Poesia e outras formas de texto tem sido aplicadas seja na forma de caligrafia ou em canções nas videoinstalações. Enquanto isso, todo trabalho tem também, direta ou indiretamente, enfocado algum tipo de questão política, como a revolução islâmica, opressão política, martírios, ou o golpe de 1953 no meu filme “WomenWithoutMen”. Mas eu penso que esse interesse em olhar pra trás para a história política e cultural para atrair inspirações e conexões fez uma curva acentuada na produção de “WomenWithoutMen” onde eu tive que estudar detidamente a história – especificamente o golpe organizado pela CIA no Irã em 1953 – e achei paralelos fascinantes entre os levates populares de 2009 e os protestos em massa de 1953. Por fim, eu acho que a história tende a se repetir. Então em 2010, como eu comecei a planejar uma nova série de fotografias inspiradas pelos levantes árabe e iraniano, alguns temas se tornaram centrais para o meu assunto: coragem, patriotismo, amor, devoção, mas também traição, crueldade, sofrimento e finalmente a morte. Então eu olhei novamente para “The Book of Kings”, uma obra-prima da literatura de Ferdowsi, que também focaliza tragédias épicas, os temas de sacrifício e patriotismo, e ainda guerra, atrocidade e morte. Eu pensei que – tanto conceitualmente quanto visualmente – poderia haver uma conexão poderosa entre as faces contemporâneas da juventude corajosa, um texto antigo e mitológico, e ilustrações de heróis.

 

 

Depois de ficar anos fazendo filmes narrativos, você retorna para um método anterior em sua nova mostra na Gladstone Gallery. A maior parte dela mostra retratos sobrepostos com caligrafia, que você tornou famosos em sua série “WomenofAllah”, de 1993. O que inspirou você a revisitar esta mídia?

Havia uma série de razões. Primeiro de tudo, depois de ter passado anos fazendo vídeos e um filme que consistiam em grandes esforços conjuntos, eu senti a urgência de retornar à arte de estúdio onde eu poderia ter uma experiência mais solitária. Eu tinha quase esquecido como era. Somado a isso, desde que eu me mudei para a imagem em movimento, meu trabalho tomou uma abordagem narrativa e abandonou totalmente até a fotografia, em particular a fotografia de retrato que era a marca de “WomenofAllah”. Então eu me perguntei se eu poderia me desafiar a retornar à fotografia de retrato onde cada imagem tinha de guardar sua própria tensão independente de outras. Além disso, eu devo dizer que havia alguma coisa sobre usar minha mão – a habilidade da caligrafia nas fotos – que eu tão intensamente sentia falta. Claro que este processo se provou muito difícil. A linguagem do cinema e da videoart havia me transformado em uma contadora de histórias e agora eu tinha que funcionar de outra maneira. Eu comecei tirando estas fotografias na primavera de 2010. Mas foi apenas após o segundo e o terceiro disparo, quando o conceito ficou finalmente cristalizado, onde enquanto havia um tema geral e uma narrativa envolvida, que cada fotografia começou a funcionar para mim individualmente.

 

Sua série “WomenofAllah” mostra apenas mulheres. Por que vocie decidiu incluir ambos homens e mulheres em seu novo trabalho?

É bem simples. Se as séries anteriores de “WomenofAllah” se tornaram sobre a Revolução Islâmica de 1979 onde a separação de gênero, e hijab (disfarce) era central para os mandamentos religiosos, “The Book of Kings” estava capturando uma época diferente. Em 2009, nós testemunhamos uma nova geração de manifestantes homens e mulheres no Irã que uniram forças para se revoltar contra um regime totalitário. Como todas as outras pessoas, eu fiquei fascinada pelas imagens poderosas na mídia não apenas no Irã, mas de todo o mundo árabe, onde mulheres muçulmanas protestaram lado a lado com homens em suas demandas por democracia e liberdade. Então se em “WomenofAllah” as mulheres foram amplamente submissas, as novas imagens revelam revolucionárias mulheres assertivas, destemidas, e totalmente desafiadoras.

 

Apesar de você ser exilada do Irã, você viaja frequentemente no Oriente Médio e faz parte de uma comunidade dissidente internacional no Mundo Árabe. Da sua perspectiva, como a Primavera Árabe afetou a atmosfera artística do Oriente Médio.

 

Claro, anterior à Primavera Árabe, nós já tínhamos testemunhado um crescimento cultural interessante na atmosfera artística do Oriente Médio onde isso claramente começou a desafiar o Oeste pela construção de mercados fortes e instituições de arte importantes. Mas eu prevejo que agora iremos ver uma nova mudança que será menos orientada pelo mercado, mas pelas transformações políticas que tomaram conta da região. Como eu estou passando bastante tempo no Egito, eu vejo agora – desde a formação da revolução – uma onda de ex-patriotas particularmente artistas, escritores e intelectuais tem voltado a viver no Cairo novamente para se juntar ao levante popular. De onde eu vejo – por mais difícil que seja – eles se sentem revigorados não só por estar presente no país enquanto a história é feita, mas também por tomar parte neste movimento.

Sem dúvida, nos próximos anos nós podemos esperar ver uma gama de filmes e trabalhos artísticos que irão comunicar com estas experiências individuais.

 

Qual foi a última mostra que você viu?

Na semana passada eu visitei as mostras individuais da Louise Bourgeois e Cai Guo-Qiang em Doha. Antes disso, eu vi a exposição de MaurizioCattelan no Guggenheim em Nova Iorque.

 

Qual a última mostra que te surpreendeu? Por quê?

A mostra do MaurizioCattelan me surpreendeu por ser tão corajosa e por ter pendurado todo seu trabalho no ar e se recusando a usar qualquer parede de museu. E a última mostra de Andreas Gurksy na Gagosian me surpreendeu, quando eu me encontrei confusa pela escala do trabalho, e não tenho certeza por que – em sua mente – o maior sempre era o mais impressionante.

 

Qual seu lugar favorito para ver arte?

O IslamicArtMuseum, no Qatar, belamente desenhando por I.M.Pei, é meu museu favorito em todo o mundo e eu desejo que além de arte clássica eles mostrassem arte contemporânea. Também, por difícil que o prédio do museu Guggenheim seja, eu amo ver como cada mostra é desafiada pela arquitetura.

 

Você vive da sua arte?

Sim.

 

Qual o item mais indispensável em seu estúdio?

Meu laptop e meus pincéis.

 

Onde você tem encontrado ideias para o seu trabalho estes dias?

Lendo e viajando.

 

Você coleciona alguma coisa?

Eu me tornei inconscientemente uma colecionadora de joalheria tribal, particularmente brincos.

 

Qual foi o último trabalho de arte que você comprou?

Eu comprei uma pequena e bela pintura de uma artista Iraniana, LalehKhoramian, da sua galeria de Nova Iorque.

 

Qual foi o primeiro trabalho que você vendeu?

Uma fotografia da série “WomenofAllah”, na galeria AnninaNosei em 1995.

 

Qual foi a coisa mais estranha que você já viu acontecer em um museu ou galeria?

A mostra de MaurizioCattelan no Guggenheim.

 

Qual é a sua picuinha do mundo da arte?

????

 

Qual o seu boteco ou restaurante favorito para depois de uma visita a uma galeria?

Normalmente, eu gosto de voltar ao meu restaurante/bar favorito no Soho, Fanelli’s na Mercer com Prince St.

 

Você tem uma rotina de ir à galerias e museus?

Infelizmente não. Eu sou muito melhor em me certificar de não perder nenhum filme importante do que exposições de arte.

 

Qual foi o último grande livro que você leu?

Estou lendo muitos romances escritos pela nova geração de escritoras iranianas, na maioria porque eles me transportam de volta ao coração da realidade sociocultural do Irã que de outra maneira eu não teria acesso. De outra maneira, eu tive que reduzir minhas leituras aos livros necessários para minha pesquisa atual sobre a cantora OumKolthum e a história moderna do Egito.

 

Que trabalho de arte você gostaria de ter?

Eu absolutamente adoraria possuir um trabalho da Louise Bourgeois. Qualquer um deles, particularmente a série de bonecas ou as mãos.

 

O que você faria para tê-lo?

Eu nunca poderia comprar um, por hora uma foto é suficiente.

 

Que destino internacional da arte você gostaria de visitar?

Eu sou muito de destinos artísticos internacionais como feiras de arte ou bienais de arte. Eu preferiria explorar os espaços culturais em países que geralmente estão fora do mapa. Por exemplo, eu estou muito interessada em ir à Teerã ou Beirute onde eu sei que há um clima artístico fortíssimo. 

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